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Sindicato das Agencias de Navegação Marítima e dos Operadores Portuários do Estado do Ceará

Portos preparam estratégias para nova era do 5G

Tecnologia vai impulsionar a produtividade, otimizar operações portuárias e gerar economia de custos, a partir do rastreamento de ativos, manutenção preditiva, sensores conectados, processamento de dados em tempo real, automação e robótica

A gradual chegada da tecnologia 5G a diversas capitais brasileiras vem causando muitas expectativas na população do país e os portos fazem parte desse cenário.

No dia 22 de agosto, conforme anunciou a estatal, as prestadoras que adquiriram a faixa de 3,5 GHz na licitação de 5G, realizada no ano passado, puderam ativar estações com a tecnologia de quinta geração do serviço móvel, nas cidades de Florianópolis (SC), Palmas (TO), Rio de Janeiro (RJ) e Vitória (ES).

A faixa de 3,5 GHz é a que garante as melhores potencialidades da quinta geração. Já possuem estações de 5G em operação as cidades de Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Goiânia (GO), João Pessoa (PB), Porto Alegre (RS), Salvador (BA) e São Paulo (SP).

De acordo com o diretor-presidente da Companhia Docas do Rio de Janeiro, Francisco Antonio de Magalhães Laranjeira, a transformação digital está no centro do plano estratégico da CDRJ. “A chegada do 5G significa que o porto e seus clientes podem aproveitar ao máximo essa tecnologia, pela qual as informações comerciais podem ser capturadas, permitindo que a tomada de decisões baseada em dados impulsione a eficiência de toda a empresa, beneficiando os clientes e as próprias operações do porto”, disse ele à Portos e Navios.

Laranjeira salientou que novos aplicativos inovadores e recursos da Internet das Coisas (IoT) podem ser habilitados por meio de uma rede 5G, visando melhorar a produtividade, a otimização das operações portuárias e a geração de economia de custos, com o rastreamento de ativos, manutenção preditiva, sensores conectados, processamento de dados em tempo real, automação e robótica.

“A equipe de tecnologia da informação da CDRJ  vislumbrou  uma série de excelentes casos de uso inicial e potencial. Dois deles são recomendados para uso imediato: o programa de otimização operacional no cais e o rastreamento de contêiner OCR. O primeiro envolve a instalação de dispositivos de monitoramento para registrar padrões de uso e permitir uma análise detalhada de desempenho para programas de melhoria contínua. Já o aplicativo de rastreamento de contêineres OCR inspecionará a condição dos contêineres e monitorará a entrada e saída do porto”, informou o executivo.

Na opinião de Laranjeira, todas as facilidades e benefícios da tecnologia 5G também trazem preocupações relacionadas à segurança cibernética. “Nesse contexto, a equipe técnica de TI (Tecnologia da Informação) da CDRJ entende que o ideal é utilizar redes privadas. Com o uso da rede 5G privada, ela pode ser totalmente integrada à LAN corporativa existente e fornecer serviços personalizados, aproveitando o espectro licenciado. Isso se traduzirá em melhor controle, consciência situacional e, consequentemente, incremento da segurança cibernética.”

Perspectiva

Analista da Gerência de Tecnologia e Informação (GTEC) da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina, André Ramos de Oliveira destacou que as principais vantagens da chegada da tecnologia 5G é maior velocidade, capacidade, estabilidade e bateria. “Assim, os portos podem se beneficiar com mais pessoas conectadas na rede sem fio com menor impacto. Hoje, quanto mais gente conectada, mais instável é ela”, alertou ele à Portos e Navios.

“Atualmente, temos links para a rede externa que chega ao porto via rede cabeada. Com a chegada da nova tecnologia, poderia ser feito um link redundante via 5G. Assim, se um é cortado, o outro assumiria o controle da comunicação. Outra possibilidade seria levar a comunicação para lugares de difícil acesso que a fibra não chegaria facilmente”, comentou o analista.

Coordenador de Sistemas da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina, Rodrigo dos Santos Vanhoni ressaltou que a nova tecnologia também abre portas para implementar soluções como IoT, sistemas de localização nas cargas e baixa em estoque automático, Big Data. “Conforme os dados forem surgindo, vindos do 5G, podemos aplicar melhor os conceitos de análise de Big Data e prever melhores dias e locais para embarque, melhoria na inspeção por câmeras exigida pela Receita Federal, entre outras atividades”, citou Vanhoni à Portos e Navios.

Porto inteligente: Porto Next-Gen 4.0

Coordenador de hardware da TideWise, empresa especializada em navegação autônoma, Anthony Le Merrer salientou que a tecnologia 5G deve facilitar bastante a logística portuária e a implementação de “portos inteligentes” ou do chamado “Porto Next-Gen 4.0” (fazendo alusão à indústria 4.0), que utiliza as novas tecnologias de digitalização, automação, Inteligência Artificial (IA), entre outras, em processos e operações portuárias.

“A comunicação via 5G pode ser facilitada desde o manejo da carga nos pátios de manobra, por meio de AGVs (Automated Guided Vehicles), que já são utilizados em portos da China e da Holanda, até a utilização de USVs (Unmanned Surface Vehicles) para a realização de inspeções de rotina, como batimetrias e leituras de calado dos navios”, destacou ele à Portos e Navios.

Segundo Le Merrer, o objetivo do “Porto Next-Gen 4.0” é proporcionar uma melhor sinergia entre os atores/stakeholders para acelerar, dinamizar e otimizar/sincronizar os processos e os movimentos e, assim, melhorar a eficiência e a produtividade dentro dos portos e terminais portuários. Por isso, eles precisam de uma digitalização e automação de seus processos.

“A comunicação sem fio é essencial para esses sistemas funcionarem e com a quantidade de dados requerida para eles (streaming vídeo, múltiplos sensores, etc.). As tecnologias atuais – como o WiFi/Standard LTE – estão encontrando desafios na confiabilidade, latência e na cobertura da rede. O 5G permitirá o aumento da consciência situacional em tempo real dos diferentes ativos, por meio de vários sensores, ‘wearables’ e drones. E tudo isso de maneira remota”, ressaltou o coordenador de hardware da TideWise.

Conforme Le Merrer, embarcações autônomas, por exemplo, também poderão aproveitar dessa tecnologia para reforçar a segurança nos portos, fazendo rondas nos pontos de interesse, realizando inspeções nos ativos portuários e nos navios posicionados nos berços de atracação e fornecendo levantamentos hidrográficos de qualidade em tempo real.

Rede 5G privada

Diretor da T2S – empresa especializada em tecnologias para operações portuárias –, o engenheiro de computação e professor universitário Ricardo Pupo Larguesa ressaltou que a tecnologia 5G traz novas possibilidades, mas não a que será ofertada pelas operadoras aos usuários comuns, mas a rede 5G privada, já homologada pela Anatel.

“Isso porque as redes 5G privadas poderão substituir as de Wifi na operação portuária, com vantagens como menor latência – tempo que os dispositivos levam para trocar dados com as antenas – e o roaming, que envolve o processo de troca de antena, sendo muito mais eficiente e apropriado para veículos, como caminhões e empilhadeiras, circularem por grandes áreas. A gestão das informações operacionais em tempo real será beneficiada com esse tipo de tecnologia”, reforçou ele à Portos e Navios.

Segundo ele, no caso dos navios em si não haverá impactos: “O alcance de uma antena 5G é pequena, sendo menor até do que uma antena de tecnologia 4G. E a regulamentação das redes 5G privadas pode variar entre os diferentes países por onde o navio circula. Hoje, navios já fazem uso de comunicação por satélite, uma tecnologia mais apropriada para as embarcações que navegam por áreas sem cobertura na maior parte do tempo”.

Próximas cidades atendidas

O Conselho Diretor da Anatel aprovou, no dia 18 de agosto, a postergação da data de liberação do uso do 5G na faixa de 3,5 GHz para 28 de outubro nas demais capitais, conforme sugestão do Gaispi, com base em informações da Entidade Administradora da Faixa (EAF).

Tal medida foi necessária para permitir a conclusão das ações de desocupação da faixa e mitigação de eventuais interferências na recepção das estações do Serviço Fixo por Satélite (FSS). Permanece a possibilidade de antecipação por decisão do Gaispi, mesmo nessas cidades, desde que adotadas as medidas necessárias por parte da EAF.

Fonte: portosenavios

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