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Porto do Mucuripe entra em pacote federal de concessões com R$ 400 milhões em investimentos previstos

Porto do Mucuripe entra em pacote federal de concessões com R$ 400 milhões em investimentos previstos

Terminal de Contêineres e área de coque de petróleo do Porto de Fortaleza estão entre os ativos qualificados para arrendamento à iniciativa privada em 2026.

Porto do Mucuripe — Terminal de Contêineres do Porto de Fortaleza
Foto: Fabiane de Paula / Arquivo SINDACE

O Porto do Mucuripe — oficialmente Porto de Fortaleza — passou a integrar oficialmente o pacote de concessões do Ministério dos Portos e Aeroportos (MPor), que prevê a transferência de 18 terminais portuários à iniciativa privada em 2026. O conjunto faz parte de um programa mais amplo, que reúne 40 ativos de infraestrutura no país, entre 21 aeroportos, uma hidrovia e os 18 portos.

Terminal de Contêineres (MUC 04)

O principal ativo cearense no pacote é o Terminal de Contêineres do Porto de Fortaleza, identificado como MUC 04. O contrato prevê cerca de R$ 400 milhões em investimentos ao longo de um prazo inicial de 25 anos, com possibilidade de prorrogação. A expectativa do governo federal é que o leilão ocorra no quarto trimestre de 2026, enquanto a Companhia Docas do Ceará (CDC), administradora do complexo, projeta a realização do certame no segundo trimestre do mesmo ano.

O projeto prevê obras de ampliação da infraestrutura, aquisição de novos equipamentos operacionais e extensão das proteções marítimas, com o objetivo de aumentar a eficiência e a competitividade do porto cearense. Atualmente, o terminal é operado de forma transitória pela CMA Terminals, subsidiária da CMA CGM.

MUC 05: terminal de coque e clínquer

Em paralelo, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) marcou para 8 de maio de 2026 a audiência pública sobre o arrendamento da área MUC 05, destinada à movimentação e armazenagem de coque de petróleo e clínquer. O contrato previsto tem duração de 25 anos e valor estimado de R$ 1,12 bilhão, com investimento obrigatório em obras de R$ 48 milhões.

O coque de petróleo movimentado no terminal é importado dos Estados Unidos e abastece indústrias locais, especialmente do setor de cimento. Já o clínquer é produzido no Ceará e distribuído para outros estados, posicionando o Porto de Fortaleza como elo logístico da cadeia da construção civil no Nordeste.

Impacto para a fruticultura e o agro cearense

A modernização do Terminal de Contêineres tem efeito direto sobre a fruticultura — em 2025, foram exportadas 470 mil toneladas de frutas e cascas de frutas pelo terminal, cerca de 85% do total movimentado em contêineres no porto. Aproximadamente 98,6% da movimentação do terminal foi destinada à exportação.

Com a expansão da capacidade nominal, espera-se redução do tempo de espera para atracação e liberação de cargas. Para produtos perecíveis como melão, manga e mamão, reduções marginais no ciclo logístico — da ordem de 12 a 24 horas — podem significar menor perda de qualidade, ampliação da janela de comercialização nos mercados de destino e melhora no preço negociado.

Outras áreas do Porto de Fortaleza também estão no radar do governo federal. O terminal de granéis sólidos minerais (MUC 03), atualmente ocupado pelo Tergran, deve passar por processo de concessão, e a CDC informou que o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental está em análise.

Fontes: Ministério dos Portos e Aeroportos, Antaq, Companhia Docas do Ceará.

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